A história da tatuagem

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A história da tatuagem

Os primeiros corpos humanos antigos com tatuagens datam de mais de 5.000 anos atrás. Um deles, nomeado Ötzi, foi encontrado na Europa central. Ele tem vários pontos e pequenas cruzes na região lombar, no joelho e nos tornozelos. Como os especialistas determinaram que esses riscos foram feitos de forma aleatória, acredita-se que eles deveriam ser usadas como terapia para artrite na coluna e nas articulações.

As primeiras tatuagens como símbolos

Algumas mulheres egípcias encontradas quando os arqueólogos descobriram túmulos e objetos possuíam tatuagens. Estatuetas, arte de tumbas e múmias foram encontradas com arte corporal, e ferramentas de tatuagem de bronze foram identificadas em um local no norte do Egito. Após a primeira descoberta, assumiu-se que as mulheres tatuadas eram de classe baixa ou reputação questionável com base em suas tatuagens, mas alguns especialistas afirmaram que as imagens e os locais eram mais propensos a serem aplicados como amuletos de boa sorte na gravidez e no nascimento. Pontos no abdômen lembram redes colocadas em múmias como proteção e imagens do deus Bes na parte superior das coxas colocou o protetor das mulheres em trabalho de parto perto de onde ele era necessário.

Os africanos ao sul do Egito usavam tinta azul e preta para representar padrões semelhantes aos dos egípcios. Outros também empregavam mais padrões geométricos em seus braços e pernas, mais visíveis que os abdominais e as coxas, o que implica maior valor decorativo. Na Ásia central, indivíduos foram encontrados preservados no gelo com representações de criaturas míticas em sua pele e os bretões antigos também eram conhecidos por usarem imagens de animais. Registros escritos indicam que essas tatuagens representavam nascimento elevado, possivelmente até nobreza.

No início dos tempos grego e romano (do século VIII ao VI aC), a tatuagem era associada aos bárbaros. Os gregos aprenderam a tatuar com os persas e usavam as tattoos para marcar escravos e criminosos, para que assim pudessem ser identificados se tentassem escapar. Os romanos, por sua vez, adotaram essa prática dos gregos.

As primeiras tatuagens foram aplicadas usando ferramentas caseiras e tinta. As agulhas eram amarradas e frequentemente presas a um graveto para cutucar a pele no padrão projetado. Em alguns povos, a tinta era esfregada sobre a pele perfurada; em outros, a tinta era aplicada nas agulhas antes de cada uso.

A disseminação da tatuagem pelo mundo

A tatuagem pode ter se dispersado de vários lugares por meio de migração e por povos nômades: as mulheres de várias tribos ciganas da Índia e do Oriente Médio eram tatuadoras especializadas. Durante séculos, eles forneceram tatuagens para habitantes e peregrinos de regiões tão distantes quanto a Europa Oriental. Os citas eram igualmente responsáveis ​​por espalhar a tatuagem da Sibéria para a Europa Oriental no início da era cristã.

Contudo, existe um grande mito de que as tatuagens não se desenvolveram na Inglaterra e na Europa até James Cook visitar o Taiti em 1769. No entanto, isso é falso, pois muitas pessoas os usavam antes dessa época, incluindo pessoas da “alta sociedade”. Homens envolvidos em linhas de trabalho perigosas, como mineiros de carvão e marinheiros, costumavam preferir tatuagens que os protegessem dos elementos. Âncoras, pássaros marinhos e dançarinas eram desenhos comuns para os marinheiros. Picaretas e caveiras eram muito tatuadas por mineiros.

Já nos EUA, Martin Hildebrandt, é considerado um dos primeiros tatuadores do país. Ele abriu uma loja na cidade de Nova York em 1870, tornando as tatuagens acessíveis para cidadãos que não podiam viajar para o exterior. Mas, antes que os negócios de Hildebrandt – que envolviam o treinamento de aprendizes – decolassem completamente, a maioria dos americanos tatuados eram soldados que tentavam dar boa sorte, exibindo-se com lembretes de suas vidas em casa.

Charles Wagner foi o primeiro artista a oferecer uma “tatuagem cosmética” ou maquiagem permanente aplicada aos olhos e lábios. Ele também foi um dos primeiros a tatuar animais, como cães e cavalos, para fins de identificação. Acredita-se que milhares de desenhos e fotografias originais foram destruídos. Independentemente disso, ele ainda é nomeado como um dos principais artistas de tatuagem da América.

Graças em grande parte aos primeiros artistas tatuadores americanos dos séculos 19 e 20, o povo ocidental (leia-se nós) aceitou a arte da tatuagem na cultura mainstream. Desde as décadas de 1970 e 1980, existem diversos tatuadores com formação profissional em quase todas as cidades dos EUA. Desde a década de 1990, as exposições de desenhos de tatuagens acontecem ao lado das pinturas e escultores.

A história da tatuagem no Brasil

Por aqui, o precursor da tatuagem moderna foi um cidadão dinamarquês chamado Knud Harald Lucky Gegersen. Ele era conhecido como Mr. Tattoo, ou Lucky.

O homem dinamarquês chegou por aqui em 1959 e residia na cidade de Santos. Ele utilizava suas técnicas de desenho e pintura para reproduzir as tatuagens no nosso território tupiniquim.

Lucky foi de extrema importância no mundo da tatuagem brasileira. Os tatuadores creditam-lhe a chegada da tatuagem no Brasil, assim como a sua popularização. Portanto, por mais imperfeita que seja a tatuagem de Lucky, ela vale muito. Ele já foi notícia em vários jornais nacionais e em 1975 foi personagem de uma matéria do jornal “O Globo” que o declarou como único tatuador profissional da América do Sul.

Lucky  faleceu em 18 de dezembro de 1983. Por muitos anos de sua vida, o dinamarquês foi o único tatuador profissional do continente, até que com o tempo os seus seguidores foram surgindo herdando dele as técnicas e a arte de fazer tatuagem.

Apesar da sua história, a tatuagem foi inventada várias vezes e não possui uma origem determinada em algum lugar ou pessoa. A tatuagem surgiu em todos os continentes, com diferentes intenções, motivos, técnicas e resultados.

Por fim, as tatuagens estão no mainstream atual, e são cada vez mais populares. O preconceito acerca dessa forma de arte já está praticamente morto, restando resquícios apenas em pessoas de cabeça muito fraca. A tendência é com o tempo cada vez mais o brasileiro se tatuar.

Jean Rocha
Jean Rocha
Designer, desenvolvedor web e cara do marketing, 24 anos, Cajamar - SP.

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